Dias & Dias


Estamos diante de um livro que não se consegue parar de ler", escreve José Mindlin na orelha deste romance de Ana Miranda. A história reúne três personagens centrais: Feliciana, uma jovem sonhadora e obstinada; o poeta romântico Antonio Gonçalves Dias, por quem ela nutre uma longa e intensa paixão, e o sabiá - não um sabiá específico, mas a espécie inteira, que na Canção do exílio simboliza a pátria distante.A narrativa de Ana Miranda combina história e ficção para contar uma história sobre o amor, os costumes provincianos no interior do Brasil durante o século XIX, a descoberta da cultura indígena, a beleza da poesia e os mistérios da sensibilidade. No romance, Feliciana toma conhecimento da vida íntima de Gonçalves Dias por meio das cartas enviadas pelo poeta a seu grande amigo Alexandre Teófilo de Carvalho Leal. Mostradas a Feliciana por Maria Luíza, esposa de Teófilo, as cartas registram muitas das questões existenciais do poeta. Feliciana descreve de forma emocionante a paixão que as cartas alimentam, e seu relato revela refinamentos da alma feminina. A trama tecida pela autora faz com que o leitor se identifique com Feliciana, uma mulher que desvenda o que sente por meio da escrita e da memória.



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FICHA TÉCNICA

Título Original: Dias & Dias

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Ano de Edição: 2002

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Avaliação interna (1 a 5): 3

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Um colecionador de sabiás. Uma mulher que se amasia com o cunhado após a morte da irmã, passando a criar a sobrinha como filha. A esposa que desvia cartas enviadas ao marido para mostrá-las à prima, apaixonada por quem as escreveu. O professor que perde a juventude esperando por um amor que não lhe pertence.

Estes personagens são os coadjuvantes da história, ofuscados pelo amor platônico que Feliciana, a personagem principal, nutre pelo amado: o escritor Gonçalves Dias. O livro é "Dias e Dias", novo romance de Ana Miranda retratando o século XIX e trazendo como destaque a revolta da Balaiada, ocorrida em Caxias, além de abordar curiosidades e dados biográficos que traçam o perfil de Gonçalves Dias.

Dois anos depois de publicar o último livro, Ana Miranda está de volta repetindo a fórmula dos romances anteriores, "Sem Pecado", "Desmundo" e "Amrik", dando voz ao "eu-poético" feminino em épocas, situações e conflitos diferentes.

Não supera a genialidade do inesquecível sucesso editorial "Boca do Inferno" (biografia romanceada de Gregório de Matos), mas não deixa de conduzir o romance com a maestria daqueles que sabem transcrever para o papel as palavras que brotam da alma.

Um livro que só poderia ser escrito a partir de sentimentos guiados pela sensibilidade de uma mulher, escritora detalhista, que comete pequenos deslizes quando, em certas passagens do livro, procura ser didática.

O título de duplo sentido refere-se a um trocadilho com o sobrenome do escritor e os dias e dias dedicados - e desperdiçados - por Feliciana à fidelidade do poeta , que nunca poderia retribuir o amor dedicado durante uma vida inteira, e as contradições e fragilidades de um homem em carne e osso, quando colocado de frente com a idealização de uma mulher apaixonada. 

 

Ano de Edição
2000 - 2009
Gênero
Ficção
País do Autor
Brasil
Língua
Português